por Leandro Alberione Batista da Costa*

Que alegria encontrar nossa vocação! Nosso lugar no mundo! Há um chamado para todos nós: individual, comunitário e societário. “Não foste vós que me chamaste, mas eu que chamei vocês e vos constitui para que vão e produzam frutos e frutos que permaneçam? (parafraseando Jo 15, 16). No entanto, como escutar e discernir o chamado e a vontade de Deus no concreto de nossas vidas? Para responder esta questão, que ecoa no coração de tantos, apresentaremos algumas pistas e conversaremos com a psicóloga Marcela Monteiro** de Oliveira Lasmar, que atua com orientação profissional, por meio do website Facilitando Escolhas.1

O primeiro chamado feito a todos é a participação na vida divina como filhos e filhas de Deus Pai, irmãos e irmãs em Jesus, movidos e unidos pelo mesmo Espírito (II Pe 1, 4). Trata-se do chamado universal à santidade, delineado de forma tão bonita pelo Papa João Paulo II, na Exortação Apostólica “Christifidelis laici”: “(…) “Sendo a Igreja em Cristo um mistério, ela deve ser vista como sinal e instrumento de santidade… Os santos e santas foram sempre fonte e origem de renovação nas circunstâncias mais difíceis em toda a história da Igreja. Hoje temos muitíssima falta de santos, que devemos pedir com assiduidade”. Todos na Igreja, precisamente porque são seus membros, recebem e, por conseguinte, partilham a comum vocação à santidade. A título pleno, sem diferença alguma dos outros membros da Igreja, a essa vocação são chamados os fiéis leigos: “Todos os fiéis, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”; “Todos os fiéis são convidados e têm por obrigação tender à santidade e à perfeição do próprio estado”. A vocação à santidade mergulha as suas raízes no Batismo e volta a ser proposta pelos vários sacramentos, sobretudo pelo da Eucaristia: revestidos de Jesus Cristo e impregnados do Seu Espírito, os cristãos são “santos” e, por isso, são habilitados e empenhados em manifestar a santidade do seu ser na santidade de todo o seu operar. O apóstolo Paulo não se cansa de advertir todos os cristãos para que vivam “como convém a santos” (Ef 5, 3). A vida segundo o Espírito, cujo fruto é a santificação (Rom 6, 22; cf. Gal 5, 22), suscita e exige de todos e de cada um dos batizados seguimento e imitação de Jesus Cristono acolhimento das Suas Bem-aventuranças, na escuta e meditação da Palavra de Deus, na consciente e ativa participação na vida litúrgica e sacramental da Igreja, na oração individual, familiar e comunitária, na fome e sede de justiça, na prática do mandamento do amor em todas as circunstancias da vida e no serviço aos irmãos, sobretudo os pequeninos, os pobres e os doentes. A vocação dos fiéis leigos à santidade comporta que a vida segundo o Espírito se exprima de forma peculiar na sua inserção nas realidades temporais e na sua participação nas atividades terrenas. É ainda o apóstolo que adverte: “Tudo quanto fizerdes por palavras e obras, fazei tudo no nome do Senhor Jesus, dando, por meio d’Ele, graças a Deus Pai” (Col 3, 17). Aplicando as palavras do apóstolo aos fiéis leigos, o Concílio2 afirma categoricamente: “Nem os cuidados familiares nem outras ocupações profanas devem ser alheias à vida espiritual”. Por sua vez, os Padres sinodais afirmaram: “A unidade de vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois, eles têm que se santificar na normal vida profissional e social. Assim, para que possam responder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar para as atividades da vida quotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento da Sua vontade, e também como serviço aos demais homens, levando-os à comunhão com Deus em Cristo”3.

Chamado pessoal

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica “Alegrai-vos e exultai”4, fala de um projeto de santidade único e irrepetível que Deus tem para cada pessoa, que a leva a refletir e encarnar, em um momento determinado da história, um aspecto do Evangelho.

Como é bonito contemplar tantos santos e santas, com vocações, profissões e histórias tão diversas!

Nosso querido Papa indica pistas muito concretas para este discernimento vocacional na Exortação Apostólica “Cristo vive”5: “Quando se trata de discernir a própria vocação, há várias perguntas que é preciso colocar-se. Não se deve começar por questionar onde se poderia ganhar mais dinheiro, onde se poderia obter mais fama e prestígio social, mas também não se deveria começar perguntando quais tarefas nos dariam mais prazer. Para não se enganar, é preciso mudar de perspectiva, perguntando: Conheço-me a mim mesmo, para além das aparências ou das minhas sensações? Sei o que alegra ou entristece o meu coração? Quais são os meus pontos fortes e as minhas fragilidades? E, logo a seguir, vêm outras perguntas: Como posso servir melhor e ser mais útil ao mundo e à Igreja? Qual é o meu lugar nesta terra? Que poderia eu oferecer à sociedade? E surgem imediatamente outras muito realistas: Tenho as capacidades necessárias para prestar este serviço? Em caso negativo, poderei adquiri-las e desenvolvê-las? Estas questões devem-se colocar não tanto em relação a si mesmo e às próprias inclinações, mas em relação aos outros, em ordem a eles, para que o discernimento enquadre a própria vida referida aos outros. Por isso, quero lembrar qual é a grande questão: «Muitas vezes, na vida, perdemos tempo a questionar-nos: “Quem sou eu?” E podes passar a vida inteira a questionar-te, procurando saber quem és. Mas a pergunta que te deves colocar é esta: Para quem sou eu?” És para Deus, sem dúvida alguma; mas Ele quis que fosses também para os outros, e colocou em ti muitas qualidades, inclinações, dons e carismas que não são para ti, mas para os outros”.

Como é bom poder contar com pessoas e comunidades ao longo da caminhada que, com generosidade, respeito e franqueza, nos ajudam a responder estas questões e tomar decisões.

Um dos grandes perigos é passar a vida toda discernindo e nunca tomar uma decisão, investir, escolher, arriscar-se.

Sobre este tema, prossegue Francisco na Exortação aos Jovens: “Nem sempre um jovem tem a possibilidade de decidir a que vai dedicar os seus esforços, em que tarefas vai empregar as suas energias e a sua capacidade de inovação. Com efeito, aos próprios desejos e mesmo às próprias capacidades e discernimento que a pessoa pode maturar, sobrepõem-se os duros limites da realidade. É verdade que não podes viver sem trabalhar e que, às vezes, tens de aceitar o que encontras, mas nunca renuncies aos teus sonhos, nunca enterres definitivamente uma vocação, nunca te dês por vencido. Continua sempre a procurar, ao menos, modalidades parciais ou imperfeitas de viver aquilo que, no teu discernimento, reconheces como uma verdadeira vocação. Quando alguém descobre que Deus o chama para uma coisa concreta, que está feito para isso – enfermagem, carpintaria, comunicação, engenharia, ensino, arte ou qualquer outro trabalho –, então será capaz de fazer desabrochar as suas melhores capacidades de sacrifício, generosidade e dedicação. O fato de uma pessoa saber que não faz as coisas por fazer, mas com um significado, como resposta a uma chamada – que ressoa nas profundezas do seu ser – para contribuir com algo a bem dos outros, isto faz com que estas atividades deem ao próprio coração uma particular experiência de plenitude“.

Não tenhamos medo do chamado à vida sacerdotal, religiosa, familiar, missionária, social, política! Como precisamos de sacerdotes, de religiosos e religiosas, de pessoas inteiramente consagradas ao Senhor! Como necessitamos de famílias santas, que vivam o amor, o cuidado e o respeito! Como precisamos de pessoas de cultura, de ciência, na vida política, que testemunhem a união da fé e da razão, do que se crê e do que se vive, capazes de dialogar e buscar o bem comum! Este ou esta pode ser você!

Chamado comunitário

Por fim, diante do momento histórico que vivemos, tanto com relação à pandemia como com relação ao estupro de uma criança de dez anos e o aborto de uma criança de cinco meses, cumpre recordar e tornar realidade o ensinamento de São João Paulo II, na Carta Encíclica “Evangelho da Vida”6, para anunciarmos, celebrarmos e servirmos a vida: “O compromisso de servir a vida incumbe sobre todos e cada um. É uma responsabilidade tipicamente “eclesial”, que exige a ação concertada e generosa de todos os membros e estruturas da comunidade cristã. Mas a sua característica de dever comunitário não elimina nem diminui a responsabilidade de cada pessoa, a quem é dirigido o mandamento do Senhor de « fazer-se próximo » de todo o homem: « Vai e faz tu também do mesmo modo » (Lc 10, 37). Todos juntos sentimos o dever de anunciar o Evangelho da vida, de o celebrar na liturgia e na existência inteira, de o servir com as diversas iniciativas e estruturas de apoio e promoção”.

Não é contraditório um país onde tantos se dizem cristãos ser palco de tanta injustiça, desigualdade, violência e injustiça?

Alerta-nos o Papa Francisco, na “Alegrai-vos e Exultai”: “A defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, e exige-o o amor por toda a pessoa, independentemente do seu desenvolvimento. Mas igualmente sagrada é a vida dos pobres que já nasceram e se debatem na miséria, no abandono, na exclusão, no tráfico de pessoas, na eutanásia encoberta de doentes e idosos privados de cuidados, nas novas formas de escravatura, e em todas as formas de descarte. Não podemos propor-nos um ideal de santidade que ignore a injustiça deste mundo, onde alguns festejam, gastam folgadamente e reduzem a sua vida às novidades do consumo, ao mesmo tempo que outros se limitam a olhar de fora enquanto a sua vida passa e termina miseravelmente”.

A missão é tão grande. Por onde começar? A partir da realidade em que estamos inseridos, com pequenos gestos, formando parcerias e redes de mobilização e solidariedade.

A grande obra salesiana começou com o acolhimento pelo Pe. São João Bosco de alguns meninos que foram expulsos da igreja pelo sacristão. Hoje, está presente no mundo inteiro. Olhe ao seu redor!

Sonhamos com a Civilização do Amor! Sua construção passa por pequenos gestos de amor: o acompanhamento espiritual e material de uma família; a construção de uma casa em mutirão; um curso para atender uma necessidade de uma comunidade; defender o bem comum junto à Câmara de Vereadores; participar de um Conselho, etc.

Que estas reflexões nos ajudem a meditar e buscar caminhos para nossa vida pessoal, familiar e comunitária.

Entrevista com a psicóloga Marcela Lasmar**

1. Na atualidade, a sensação que temos é de fragmentação diante dos muitos papéis que temos de exercer. Como podemos encontrar essa unidade e escutar nossa voz interior para discernirmos nosso chamado?

Marcela: Na sociedade atual, assumimos muitos papéis simultaneamente e é fundamental podermos perceber a importância e, não só a importância, mas o significado de cada papel. Essa é a grande palavra: significado. Muitas vezes, falta-nos descobrir o significado, o sentido daquele papel. O sentido a que sou convidado dentro daquele determinado papel. Seja de pai ou mãe, de filho, de trabalhador, de missionário. Realmente, precisamos entender a que me proponho naquele lugar: por que estou ali? Falando, por exemplo, do trabalho: quantos não encontram sentido no que fazem? Fazemos um convite a repensar tudo isso. Trata-se do ganha-pão, do sustento da família, mas quantas pessoas percebo se veem presas nessa roda, nessa engrenagem e não ousam coisas novas, porque de alguma forma, se acostumaram a exercer aquele papel. Não veem sentido, mas também não conseguem dar passos concretos. Então, é muito importante fazer um exercício de reflexão. Não é um autojulgamento, nem uma autopunição, não é apontar o dedo se culpando, porque isso não leva ninguém a crescer. Mas entender qual o sentido por trás de cada dos papeis que exerço. E se não encontro sentido em algum desses papeis, precisamos questionar o que pode ser feito. Afinal, a vida é um dom e precisa ser revisada a cada dia.

2. Muitas vezes falamos de vocação pessoal, mas existem vocações comunitárias? Por exemplo, somos profissionais do Reino, como cada Grupo de Profissionais pode discernir sua missão em uma dada comunidade?

Entendo que Deus fala muito através dos contextos, dos cenários onde estamos inseridos. Deus também fala muito através das necessidades. Jesus sempre esteve muito atento às necessidades dos povoados e daquelas pessoas por onde ele passou. Percebo que nós, enquanto Profissionais do Reino, pequenas comunidades, é muito importante a gente se fazer esse questionamento dentro do local em que estamos, seja no âmbito pastoral, seja no âmbito do trabalho social. É muito importante o grupo se questionar à partir da realidade local. Partimos do chamado como algo muito abstrato e apenas sobrenatural. E tem um componente que o sobrenatural se faz humano. Nos grupos dos quais participei, sempre buscávamos discernir a missão a partir da realidade do local em que estávamos inseridos. Em uma paróquia, por exemplo, estarmos atentos a essas necessidades e a partir das necessidades que a paróquia apresentava, que a gente percebia ou era apresentadas de forma clara, pastoralmente, socialmente, e a partir da observação dos dons e talentos de quem estavam conosco. Deus quer usar nossos talentos para que eles multipliquem e frutifiquem em nós e na vida de nossas comunidades. Quando começamos primeiro projeto social do Ministério Universidades Renovadas (MUR), em Juiz de Fora/MG, pouco antes do GPP nascer. Fomos conversar com o Bispo Auxiliar, que acompanhava o Ministério, e nos colocamos à disposição. Queríamos fazer um trabalho social, mas não sabíamos por onde começar. Ele disse que iria pensar e, depois, nos orientou a conversar com um padre de uma paróquia da periferia de Juiz de Fora, em situação de vulnerabilidade social, que estava precisando de um grupo que assumisse algumas frentes. Nos abrimos para ouvir o que ele tinha para nos dizer sobre aquela realidade e suas necessidades. Claro que se o Padre apontasse algo que estivesse completamente na contramão do que nos sentíamos chamados a fazer, talvez tivéssemos que ajustar. Não que não pudéssemos aprender novas habilidades. Muito pelo contrário, habilidades podem ser aprendidas, aprimoradas e desenvolvidas ao longo da vida. Usando uma frase de santo Inácio de Loyola: quem tem a paz é um sinal de que estamos fazendo a vontade de Deus. Isso trouxe uma paz e uma certeza muito grande em nosso coração de que era de Deus, de que aquele era o caminho. Foi um projeto lindo, que permaneceu por muitos anos e trouxe muitos frutos.

3. No âmbito familiar, como podemos respeitar e desenvolver as vocações de cada membro? Ajudar os filhos a se autoconhecerem e fazer boas escolhas? Equilibrar as escolhas do casal para que ninguém se anule em sua vocação?

Olho para a família com muito carinho. Com relação aos filhos, a gente precisa ensina-los desde pequenos a fazer escolhas, ou seja, saber se decidir, nas pequenas coisas. Por exemplo, escolher entre os brinquedos que vão brincar naquele momento; entre os brinquedos que querem ganhar de presente de aniversário. Ensinar a fazer escolhas nas pequenas coisas. Percebo muito isso, no meu dia a dia, no meu trabalho, como é importante e como que faz falta esse exercício de escolhas saudáveis, vir realmente lá desse momento de construção da personalidade. E isso muitas vezes é difícil para nós os pais porque nem sempre eles vão escolher algo que que a gente gostaria. Obviamente, que quando eles são muito pequenos a gente precisa tutorar para protege-los do que que envolve risco para eles ou risco para alguém ao redor, bem como risco não só físico, mas um risco emocional, por exemplo, na adolescência. Devemos tutora-los, mas não tomarmos à frente e decidirmos por eles. Se assim fizermos, poderão vir a ter uma dificuldade um pouco maior de fazer escolhas, de se posicionarem. Inclusive, em relação a vocação deles no futuro. Portanto, é muito importante esse exercício de deixar os filhos fazer escolhas e levá-los a refletir sobre suas escolhas. É algo que busco muito com meus filhos, que consome muita energia. Porém, entendo que faz parte do nosso papel de pais. Com relação ao equilíbrio das escolhas do casal, trata-se de um grande desafio, mas, ao mesmo tempo, é um grande tesouro que o casal pode vir a descobrir juntos. O casal precisa pensar no projeto de vida deles juntos. Porque quando se reflete sobre o projeto de vida – o que queremos enquanto casal? -, os cônjuges retomam necessariamente a algumas perguntas de base. É muito importante dentro desse projeto de vida cada um questionar: onde está o meu tesouro? Pois, onde ele está, também está o seu coração. Primeiro, se pergunta singularmente: O que faz meus olhos brilharem? O que faz meu coração bater mais forte? O que desperta meu interesse a ponto de me ferver por dentro e sentir uma satisfação enorme nas várias áreas de minha vida? E, quando cada um se convida a fazer essa pergunta, é bonito que acabam se tornando um sinal de Deus para o outro. Quantas vezes um dos cônjuges talvez não consegue nem perceber, de fato, o que faz o olho brilhar? Talvez por várias questões, bloqueios emocionais, mas um outro, que o conheço muito bem, é chamado a olhar para ele com a lente do olhar positivo para ajuda-lo a perceber talvez os grandes tesouros que, talvez, não consegue enxergar ou assumir enquanto talento e que pode vir até mesmo a se tornar uma missão. Quando falamos de projeto de vida sugerimos ao casal que façam um elenco de seus pontos fortes, de suas qualidades e o que pensa do futuro junto enquanto família. Depois, cada um escreve sobre si, e em seguida, escreve sobre o outro (o que se percebe de qualidades). Então, trocam e fazem uma autoleitura, não só através do meu olhar, mas através do olhar do outro que também nos conhece muito bem. O olhar do outro sobre nosso potencial. E, a partir daí, muitas coisas podem surgir! E o que cada um escreveu para cada um projeto de família para daqui a 3 anos, para daqui a 5 anos ou para 10 anos? Como o casal vê a sua missão em família? Essa troca, esse diálogo, pode ser um exercício bastante frutífero para a família.

4. Podemos cair em uma neurose de querer descobrir “a” vontade de Deus para nossas vidas e acabar não prestando atenção nas oportunidades que a vida nos dá para realiza-la?

Essa pergunta guarda relação com a frase de Santo Inácio de Loyola utilizada na resposta anterior. Quando estamos em paz e consolados, com um sentimento de plenitude e de realização profunda, é porque estamos na vontade de Deus. Plenitude não no sentido de “cheio de nós mesmos”, porque a vontade de Deus sempre nos faz transbordar e nos conduz não nos fecharmos. Trata-se de uma plenitude no sentido de um sentimento de realização profunda, em que percebemos que, mesmo nos momentos difíceis, Deus sempre nos convida avançar em relação a esse sentimento de plenitude. Para mim, isso é fazer a vontade de Deus! Quando sinto que estou caminhando para algo onde estou na minha melhor versão, produzindo frutos não só na minha vida, na minha família, mas também na vida de outras pessoas, é sinal de que caminho na vontade de Deus. Justamente, para não cair nessa neurose de saber “a” vontade de Deus. Claro que, quanto mais em comunhão com Deus a gente está, pela vida de oração, pela vida sacramental, melhor a nossa percepção de sua vontade. Quando a gente está, de fato, conectado com Deus, mais conseguimos ler e abrir caminhos dentro de nós, expandir nossos limites. Quando estamos em comunhão com Deus, estamos na nossa melhor versão e sempre em busca de atualiza-la. Em compensação, o contrário também é verdadeiro. Quanto menos em comunhão com Deus, mais desconectados da vida da graça, mais as coisas ficam vazias e sem sentido. Enfim, acredito que isso nos desconecta também de um propósito de Deus para nossa vida.

* Casado, pai de duas filhas; ex-membro da CNP, do GPP Ilha Solteira e do Projeto Amazônia; membro do Grupo de Oração N. Senhora de Fátima, de Santa Fé do Sul/SP; graduado em Direito, com especialização em Direitos Humanos, escrevente técnico judiciário do TJ-SP. Contato do autor: labc2000@hotmail.com

** Psicóloga formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora; Mestre em Saúde na Comunidade pela Universidade de São Paulo; Especialista em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Juiz de Fora; Possui experiência em projetos ligados à área da saúde, social e de educação (Orientação Profissional), com experiência nacional e internacional.

Referências

1 https://www.facilitandoescolhas.com.br

2 Trata-se do Concílio Vaticano II.

3 Os destaques em itálico fazem parte do texto original e, em negrito, foram adicionados por mim. http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_30121988_christifideles-laici.html

4 http://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Cap%C3%ADtulo_I_A_CHAMADA_%C3%80_SANTIDADE_

5 http://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html#O_DISCERNIMENTO_

http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031995_evangelium-vitae.html

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